Carnaval 2017

Introdução

Barroca Zona Sul - Enredo 2017
Barroca Zona Sul – Enredo 2017

Para o carnaval 2017, nossa Faculdade do Samba se veste de pescador e apresenta à comunidade do samba o encantador universo que surge em torno de uma atividade que há milhares de anos está presente na vida das pessoas: a pesca.

Símbolo de fé, de riqueza e de histórias fantásticas, a pesca é um instrumento de ligação do homem com a natureza.

Seja ela de forma explícita ou subliminar, é fascinante viajar na mente de um pescador e em seu modo próprio de narrar seus causos.

Embarque conosco nessa prosa e mergulhe no mundo da pesca onde, da riqueza das águas, se multiplica o amor.

 

O desenvolver da prosa

Nas histórias e “estórias” das minhas andanças,
Sou pescador que por muitas águas naveguei.
Tenho causos pra contar e muitas verdades a desvendar.
Te convido pra minha prosa pra “mode” a gente entender
Que em história de pescador tudo pode acontecer.

A pesca é uma maravilha e dádiva do Criador.
Desde os tempos da Bíblia ela se recria
Conquistando o imaginário do homem de fé
Que obedece ao seu Senhor.

E foi com essa obediência cristã que Pedro lançou a rede ao mar
E começou a mostrar pro mundo que a pesca é algo maravilhoso a se revelar.
Assim como na multiplicação dos peixes,
A história mostra a importância da pesca na vida das pessoas.

No balanço das águas, na riqueza do rio ou do mar,
Com o marejar que vier,
É linda a exuberância dos peixes no bailar da maré.

Com um balé de rara beleza,
A água, rica em sua existência,
Encanta o homem fascinado por sua natureza.

No vilarejo ou na beira da represa,
Há quem tire da pesca o seu viver.
Pescador tem fama de contador de “estória”,
Mas quem tem coragem de contestar a sua trajetória?

Ao ver a rede se acomodar abraçando os peixes, os olhos de lágrimas insistem em se encher
Quando a rede do pescador abocanha quase todos os peixes que vivem por ali.
Alegria verdadeira, que faz surgir no rosto o gosto doce de sorrir.

E quem vai dizer que não foi?
A linha desenha o caminho do peixe ao anzol
Que carrega a isca perfeita, para uma grande “pescada” ao brilho do Sol.

O peixe é alimento e sustento da minha gente
Que ara a terra de dia pra comer a noite feliz e sorridente.
Ê sertão amado! Simples, mas contente.

Mas tem dia que as águas não querem colaborar:
Mas não desisto. Sou sujeito simples que aprendeu o recado
Tem dia que não adianta, mas não desisto do chamado.
Pescador que é pescador vive em busca do seu “agrado”.

Quando o mar não tá pra peixe, me lembro da penúria do povo mais sofrido.
Pois se o peixe não chega à nossa mão,
É certo que também não chegará à boca
De quem sofre com os pés calejados no agreste do sertão.

Peço a São Pedro, meu amado, a sua proteção.
Abençoe o nosso povo que carece de atenção.
Pescador que é pescador a ti clama em oração.

Ouvi de muitos amigos, por esse Brasil afora,
Lendas e histórias sem igual como a de Iara, Mãe D’Água,
Que habitava no Rio seduzindo o caboclo pescador que na margem se achegava:
Um misto de mistério e sedução que até hoje está no imaginário popular.
Lenda ou verdade quem poderá nos falar?

A verdade que eu ouvi e até hoje se pode constatar
É que da pesca nossos primeiros habitantes
Tiravam o meio de se alimentar.

Falar de pescaria e não se lembrar dos nossos índios
É esquecer como tudo começou.
Pois em terra brasileira o peixe terá sempre o seu lugar!

Na mesa boa do povo festeiro é dia de comer a “pescada”
E quem não come na Sexta-feira Santa a boa e velha bacalhoada?

O peixe também é símbolo de boa alimentação,
Saudável e gostosa fonte de energia.
Faz parte da mesa dessa gente que busca
Viver em baixas calorias.

A quem pesque por esporte, o aventureiro e radical.
Pescador virou elite no cenário nacional.
Mas com toda segurança devolve para as águas o seu troféu,
Pois pescador do esporte por sua presa é fiel.

Contei causos pro mundo todo até do jeito que pesquei.
Pra muitos amigos é um contato com a natureza
Que também devolvem pra represa a prenda que fisgou:
Pesca por prazer com afinco e amor.

E quando tô no meio de uma roda aproveito pra contar
Que o coração da minha amada só pescando consegui fisgar.
Coração de pescador pulsa como o balanço das ondas do mar…

Já pesquei em minhas andanças ilusão e muito amor…
Teve até grupo de música que em meu causo se inspirou.
Valeu a pena… Ah se valeu!

E como vale a pena, numa festa junina,
Levar a molecada na pescaria do “arraiá”!
Meu menino e minha menina sabem bem o que quer
Pra no futuro se tornarem pescadores pro que der e vier…

Eita! Mas “estória” de pescador é gostosa de ouvir!
E quem não tem sempre um causo pra contar?
E foi numa dessas buscas que pescamos o que mais desejamos.
Seja alegria ou ilusão…
Sejam almas em busca da salvação…
A pescaria é algo que conquista
O mais profundo de cada coração.

E é com as bênçãos da nossa senhora Aparecida, nossa mãe de fé,
Que das mãos dos pescadores fez acender a chama de um novo tempo,
Encerro minha prosa, pois sem fé não posso pescar e sem pesca não uso minha fé.
Pois quem ama busca em cada pescaria motivo pra ser feliz…
E por isso sou pescador verde e rosa…
Verde e rosa da minha raiz!

Obrigado por ouvir essa prosa, meu irmão!
Em meu peito pulsa um coração cheio de  vontade e prazer.
Eu sou Barroca, sou a verdadeira faculdade.
Que ensina o caminho da alegria seja qual for,
Pois para encontrar a felicidade tem que haver a multiplicação do amor.

AUTOR DO ENREDO: Cleiton Almeida – DESENVOLVIMENTO: Danilo Dantas
PESQUISA: Comissão Artística (Ricardo Negreiros, Raphael Gonçalves, Leandro Lion)